Delegado de SP é denunciado por usar carro apreendido do tráfico para viagens particulares

Veículo de R$ 200 mil fora confiscado do tráfico; uso deveria ser restrito a investigações criminais, mas rastreamento aponta uso em horários de folga

O veículo foi apreendido em uma operação contra o tráfico e deveria servir apenas ao trabalho policial (Foto: SBT | Reprodução)
Por Tom Schuenk
Publicado em 03/03/2026 às 22h00

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo abriu uma investigação para apurar a conduta de um delegado flagrado utilizando um veículo de luxo apreendido em atividades de caráter pessoal, segundo o SBT News. O automóvel, avaliado em aproximadamente R$ 200 mil, fora confiscado em novembro de 2025 durante uma operação de combate ao tráfico de drogas em Diadema, na Grande São Paulo. Apesar de a Justiça ter autorizado a utilização do bem pela corporação, a decisão especificava que o uso deveria ser restrito a investigações ou ações de repressão criminal.

As evidências do uso irregular foram compiladas por familiares de um dos detidos na referida operação, que monitoraram o veículo por meio de um sistema de rastreamento. Os dados indicam que o delegado percorreu diversos endereços residenciais e que o automóvel permanecia estacionado em frente à sua residência durante o período noturno. Gravações adicionais mostram o carro estacionado em frente a restaurantes de luxo e confirmam a entrada do policial em um shopping center durante a tarde de um domingo.

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Controvérsia e Defesa

Em uma movimentação incomum, o delegado instaurou um inquérito alegando ser alvo de perseguição por parte dos familiares do investigado. Na peça, ele utilizou o próprio comprovante de entrada no centro de compras para justificar sua localização na data em questão, embora o argumento tenha sido interpretado pelos denunciantes como uma confirmação confessa do uso do bem para fins de lazer. As provas encaminhadas à Corregedoria agora sustentam a denúncia de desvio de finalidade e uso indevido de patrimônio sob custódia do Estado.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou, por meio de nota oficial, que o caso está sob rigorosa apuração e que sanções administrativas e judiciais serão aplicadas caso as irregularidades sejam confirmadas. A pasta reiterou que não tolera desvios de conduta entre seus agentes.

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