Crise de diesel já está deixando cidades brasileiras sem ônibus nas ruas

Cidades no RS e no Piauí operam com frotas reduzidas ou serviços suspensos após disparada nos custos; governo zera impostos para conter alta

Cidades como São Leopoldo (RS) interromperam a circulação de ônibus urbanos (Foto: Reprodução)
Por Tom Schuenk
Publicado em 18/03/2026 às 17h00

O agravamento das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, desencadeou uma crise de desabastecimento e forte pressão sobre os preços do óleo diesel, impactando a operação do transporte público em diversas cidades brasileiras. O cenário de instabilidade internacional acelerou o reajuste de preços da Petrobras — que não conteve a alta do combustível, levando prefeituras e concessionárias a adotarem regimes de contingência para evitar o colapso total dos serviços essenciais.

Municípios em diferentes regiões do país já anunciaram ajustes drásticos, segundo o Diário do Transporte. Em São Leopoldo (RS), a prefeitura decretou regime de emergência e confirmou a suspensão total da circulação de ônibus no último domingo (15), justificada pela interrupção nas entregas de combustível. Outras cidades catarinenses, como Florianópolis, Itajaí e Joinville, também enfrentam dificuldades logísticas, com empresas operando com estoques críticos.

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Impacto nos preços e subsídio federal

No Nordeste, Teresina (PI) registrou uma redução de 30% na frota circulante. Segundo as operadoras locais, o preço do diesel acumulou alta próxima de 50%, inviabilizando a manutenção integral das linhas. Para mitigar o impacto, o governo federal implementou um pacote de alívio fiscal, zerando as alíquotas de PIS/Cofins e adicionando uma subvenção direta. Somadas, as medidas garantem um desconto de R$ 0,64 por litro.

No último sábado (14), a Petrobras aplicou um desconto de R$ 0,38 no diesel A. Com a intervenção estatal, a presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou que o aumento real para as distribuidoras foi de apenas R$ 0,06, classificando o valor como “irrisório” diante da volatilidade do barril de petróleo. Contudo, a escassez física do produto nas refinarias continua sendo o principal gargalo para as prefeituras, que buscam evitar novos cortes nas tabelas horárias durante a semana.

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