Combustível ‘batizado’: veja as cidades onde é mais perigoso abastecer seu carro

Estudo inédito revela que quase 30% das amostras analisadas no Brasil estavam adulteradas; fraude volumétrica lidera as infrações

Instituto Combustível Legal utilizou carro descaracterizado para flagrar irregularidades pelo Brasil (Foto: Autopapo)
Por Júlia Haddad
Publicado em 27/01/2026 às 20h00

Abastecer o veículo tornou-se uma tarefa de risco em diversas regiões do país. Um levantamento inédito realizado pelo Instituto Combustível Legal (ICL), por meio do projeto “Cliente Misterioso”, revelou que 28% das amostras coletadas ao redor do país em 2025 apresentavam algum tipo de irregularidade. O estudo, que percorreu postos de 14 estados, utilizou veículos descaracterizados para obter 3.210 amostras de gasolina, etanol e diesel, desenhando um mapa de calor das fraudes no Brasil.

Os dados apontam que a fraude volumétrica — quando o mostrador da bomba indica uma quantidade superior à que realmente entra no tanque — lidera as infrações, com 324 casos registrados. Trata-se da adulteração mais simples e comum, lesando o consumidor de forma imediata.

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Além do prejuízo financeiro direto na bomba, as adulterações químicas preocupam pela sofisticação e danos mecânicos. Foram recorrentes os casos de gasolina com teor de etanol acima do limite legal (30%) e diesel com baixo teor de biocombustível. Tais práticas resultam em perda de desempenho e aumento do consumo, sintomas que o motorista atento pode perceber no dia a dia.

O cenário de insegurança se agravou após a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal. As investigações expuseram a participação do crime organizado na cadeia de distribuição, introduzindo o metanol — substância altamente tóxica — na mistura dos combustíveis. Em pontos fiscalizados de São Paulo, por exemplo, foram encontrados compostos com 95% de metanol e apenas 5% de gasolina.

A gravidade do problema transcendeu o setor automotivo no segundo semestre de 2025, quando o metanol desviado foi detectado até em bebidas alcoólicas, causando centenas de internações e óbitos. Diante disso, o ICL categorizou as regiões analisadas em “zonas de risco”.

Cidades como Rio de Janeiro, Curitiba e São Bernardo do Campo aparecem com sinalização crítica nos mapas de calor, indicando alta probabilidade de irregularidades.

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