Chery usará fábricas da Jaguar Land Rover no Reino Unido para produzir Omoda e Jaecoo

Em inversão histórica de papéis, montadora britânica cederá linhas de montagem ociosas para fabricar modelos asiáticos e evitar impostos

Estratégia permite a chinesas driblarem impostos de importação e garante aproveitamento de fábricas ociosas no Reino Unido (Foto: Omoda & Jaecoo | Divulgação)
Por Tom Schuenk
Publicado em 03/02/2026 às 09h00

A Chery e a Jaguar Land Rover (JLR) deram um passo definitivo para aprofundar sua cooperação industrial. A montadora chinesa confirmou que utilizará as históricas fábricas da JLR no Reino Unido para produzir seus veículos, focando inicialmente nas marcas Omoda e Jaecoo. O movimento marca uma inversão de papéis na indústria automotiva global, com uma gigante asiática utilizando a capacidade ociosa de uma fabricante tradicional europeia para expandir sua presença no Ocidente.

A decisão estratégica ataca dois problemas simultâneos: permite à Chery driblar as tarifas e barreiras comerciais impostas a veículos importados da China e, ao mesmo tempo, preenche as linhas de montagem da JLR, que operam abaixo da capacidade total.

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Fábrica da JLR em Halewood deve ser o principal palco da nova parceria (Foto: JLR | Divulgação)

Embora o anúncio de produção no solo britânico surpreenda, a relação entre as duas empresas não é nova. Chery e Jaguar Land Rover mantêm uma joint venture na China há 12 anos, onde a montadora asiática fabrica modelos como o Range Rover Evoque e o Land Rover Discovery Sport para o mercado local. Agora, a lógica se inverte: o Reino Unido servirá como plataforma de exportação dos chineses para toda a Europa.

Os modelos da Omoda e Jaecoo que sairão das linhas britânicas devem focar em motorizações híbridas e elétricas, alinhando-se às exigências ambientais do continente. Especula-se que a fábrica de Halewood, onde a JLR já produz modelos de entrada, seja o palco principal dessa nova fase.

Ao nacionalizar a produção no Reino Unido, a Chery evita taxas de importação que tirariam a competitividade de seus produtos frente aos rivais europeus. Para a JLR, o acordo é uma garantia de manutenção de empregos e diluição de custos fixos, provando que, no cenário atual, a sobrevivência das marcas tradicionais pode depender do capital e do volume das novas potências orientais.

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