Carro mais vendido da Toyota deve sumir das lojas em 2026; entenda

Transição para nova plataforma do Toyota RAV4 exigirá paradas na produção e marca monta estratégia de "improviso" para segurar vendas

Nova geração do RAV4 exigirá paralisação das linhas de montagem, causando escassez temporária (Foto: Toyota | Divulgação)
Por Júlia Haddad
Publicado em 10/02/2026 às 13h00

A Toyota emitiu um alerta estratégico à sua rede de concessionárias nos Estados Unidos: preparem-se para a escassez do RAV4 — carro mais vendido da marca em todo o mundo. Durante um evento que reúne concessionários em Las Vegas, a montadora informou que o estoque de seu veículo mais popular será limitado ao longo de 2026. O motivo é a complexa transição industrial para a nova geração do SUV, que exigirá a interrupção temporária das linhas de montagem em três fábricas.

Dave Christ, vice-presidente da Toyota Motor North America, tratou a situação com pragmatismo, classificando a queda de volume como um efeito colateral comum em mudanças de ciclo de produtos vitais. A diretriz para a rede é clara: será necessário “improvisar” e redirecionar o foco do consumidor para outros produtos do portfólio para compensar a lacuna deixada pelo carro-chefe da marca.

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Com os estoques da indústria operando nos níveis mais baixos pelo segundo ano consecutivo nos EUA, a estratégia da Toyota envolve impulsionar modelos recém-lançados ou com boa disponibilidade. A aposta recai sobre o crossover Crown Signia, a linha elétrica bZ4X e os tradicionais sedãs, como o Camry, para segurar a participação de mercado enquanto o RAV4 — que lidera as vendas entre os veículos que não são picapes — estiver em falta.

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Quem buscar um RAV4 será empurrado, por exemplo, para um Toyota bZ4x (Foto: Toyota | Divulgação)

O cenário econômico também impõe cautela: a montadora projeta uma leve retração do mercado americano em 2026, pressionada pela alta nos preços e pela tarifa de 25% sobre veículos importados do Canadá e México, que segue impactando a operação. Ainda assim, a Toyota mantém o otimismo: após crescer 8,1% em 2024 e vender 2,15 milhões de unidades, a meta é encerrar o ano com desempenho superior a 2025.

Para mitigar o impacto no bolso do consumidor e manter o volume de vendas, Christ reforçou que a “acessibilidade” será o pilar da companhia. O plano inclui a manutenção de versões de entrada e uma defesa vigorosa do segmento de sedãs, que oferecem preços mais competitivos em comparação aos SUVs médios.

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