As centrais multimídia tornaram os carros mais perigosos? Novo estudo diz que sim

Testes em simulador revelam que o cérebro não lida bem com telas touch e direção simultâneas; indústria busca soluções com IA

O uso de telas durante a condução aumenta o esforço mental e reduz a precisão das manobras no trânsito (Foto: Renault | Divulgação)
Por Tom Schuenk
Publicado em 23/12/2025 às 17h00

A massificação das telas sensíveis ao toque transformou radicalmente o interior dos automóveis, substituindo a resposta tátil dos botões físicos por menus digitais para funções essenciais, como climatização e áudio.

No entanto, essa modernização cobra um preço na segurança viária. Um estudo conduzido pela Universidade de Washington (UW), em parceria com o Instituto de Pesquisa da Toyota, aponta que o problema vai além de tirar os olhos da estrada: a tecnologia gera uma sobrecarga cognitiva que compromete a estabilidade do veículo.

Publicada recentemente, a pesquisa focou na multitarefa e na distração, analisando como o cérebro gerencia a direção enquanto opera interfaces complexas.

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O custo da multitarefa no trânsito

Para medir o impacto real, os pesquisadores utilizaram um simulador de direção de alta fidelidade equipado com uma tela de 12 polegadas. Os participantes foram submetidos à “tarefa N-back”, um teste psicológico que exige memória e raciocínio contínuo, simulando a atenção dividida.

Sensores avançados monitoraram a dilatação da pupila, o ponto focal do olhar e a precisão dos dedos. Os resultados desenharam um cenário preocupante:

  • Perda de controle: Sob carga mental elevada, os motoristas tiveram dificuldade significativa em manter o carro centralizado na faixa;
  • Toque impreciso: O estresse cognitivo fez com que os usuários tocassem na tela com mais força, mas com menos precisão, errando os ícones e prolongando o tempo de interação;
  • Nível de distração: A navegação em menus profundos gerou riscos comparáveis ao uso de mensagens de texto ao volante.

O futuro: interfaces que ‘pensam’

“As telas sensíveis ao toque são onipresentes hoje, por isso é fundamental entender como a interação com elas afeta a capacidade de processamento do motorista”, afirmou Jacob O. Wobbrock, professor da Escola de Informação da UW e coautor do estudo.

A conclusão dos pesquisadores não sugere o fim das telas, mas uma mudança de abordagem. O estudo propõe o uso de “computação afetiva” e Inteligência Artificial para criar interfaces adaptativas. A ideia é que o carro utilize sensores no volante e rastreamento ocular para identificar quando o motorista está sobrecarregado.

Nesses momentos críticos, o sistema poderia simplificar automaticamente a interface, bloqueando notificações não essenciais ou aumentando o tamanho dos botões virtuais. O desafio da indústria agora é equilibrar a sofisticação digital com a ergonomia cognitiva, garantindo que a tecnologia auxilie, e não dispute a atenção do condutor.

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