Alta do petróleo faz concessionárias de carros elétricos bombarem ao redor do mundo

Fechamento do Estreito de Ormuz impulsiona demanda por modelos a bateria; na Tailândia, vendas quadruplicaram após reajuste da gasolina

A demanda por modelos da BYD quadruplicou após a disparada internacional do barril de petróleo (Foto: Shutterstock)
Por Tom Schuenk
Publicado em 24/03/2026 às 16h00

O fechamento do Estreito de Ormuz e a consequente escalada nos preços do petróleo provocaram um efeito colateral imediato no mercado automotivo: uma corrida sem precedentes por veículos elétricos. O choque na oferta de combustíveis fósseis, impulsionado pelo conflito envolvendo o Irã, transformou a transição verde em uma estratégia de sobrevivência econômica para motoristas do mundo inteiro.

Fabricantes asiáticas, como a chinesa BYD e a vietnamita VinFast, emergem como as principais beneficiárias dessa mudança de paradigma. Nas Filipinas, segundo a Bloomberg, concessionárias da BYD em Manila registraram, em apenas duas semanas, um volume de pedidos equivalente a um mês inteiro de operação normal. O fenômeno é ainda mais agudo no Vietnã, onde as visitas às lojas da VinFast quadruplicaram, resultando na venda de 250 modelos elétricos em três semanas — o dobro da média mensal de 2025.

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Incentivos fiscais e o recuo ocidental

A correlação entre o preço na bomba e o interesse por eletrificados ficou nítida na Tailândia e na Nova Zelândia. Em um único sábado, logo após um reajuste de 20% no valor da gasolina, as vendas de veículos elétricos chegaram a quadruplicar em relação à média histórica. Diante da crise, governos locais também aceleraram políticas de incentivo. No Laos, as taxas de registro para VEs foram reduzidas em 30%, enquanto os impostos para modelos a combustão subiram na mesma proporção.

Enquanto montadoras tradicionais do Ocidente, como Ford e GM, recuam em seus planos de eletrificação devido a incertezas políticas nos EUA, a China consolida sua hegemonia global. Com uma estratégia de longo prazo voltada para a exportação de tecnologia de baixo custo, as fabricantes chinesas dobraram seus embarques para o exterior nos primeiros meses de 2026. O desafio agora reside na infraestrutura: o crescimento vertiginoso da frota exige investimentos pesados e imediatos em redes de recarga para evitar um colapso no sistema de mobilidade regional.

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